nothing but a lost cause
Sentimentos de uma quarentena #001
É preciso pausar velhos costumes, velhas ideias,
O passo apressado que planeja sair de casa.
É preciso ouvir os suspiros, enxergar as lágrimas, sentir a temperatura.
Perceber que antes de haver um eu, há um nós.
Compreender que nessa separação há união.
Que seguimos caminhando juntos ainda que sem dar um passo,
porque nesse segundo, o melhor passo é aquele que não é dado.
Talvez o maior ato de amor próprio nesse momento,
Seja abandonar ideologias e ver a vida tal como ela se apresenta.
Se permita sentir o que se sente,
O medo é inevitável, mas tudo bem.
Você não tá sozinho, e o quanto antes se perdoar por sentir o que sente,
Mais próximos estaremos mesmo sem sair de nossas casas.

Diário sobre a quarentena - pt.1
Eu ainda tô tentando descobrir como que funciona esse negócio de quarentena, como existir nesse novo tempo, nessa nova realidade, já adianto que não tem sido fácil, eu não lido bem com confinamento e falta de contato humano. O meu signo é câncer, definitivamente o signo do zodíaco mais contato físico e "vamos se amar, se abraçar e chorar juntos." que pode existir.
Estamos caminhando para o primeiro mês de isolamento aqui no Brasil e observando o comportamento geral vejo que não temos lidado nada bem com toda essa situação, navegamos entre reality show, negação, notícias vinte e quatro horas do corona e lives de artistas que tentam nos animar no insta. Não estamos preparados para esse cenário de tantas formas que cada dia que passa eu fico mais apreensiva, pois o que o futuro nos reserva? Eu realmente não sei e acho que é justamente isso que aumenta essa sensação de coração apertado e panela de pressão.
Também tô tentando encontrar alguma positividade nisso tudo pra seguir respirando. É a primeira vez em toda a minha vida que a natureza nos força a ficar em casa de uma forma tão drástica e tão urgente, com isso também vem uma oportunidade, a de olharmos pra dentro, de nos vermos de verdade sem a lente do mundo nos julgando, nos oprimindo ou nos moldando. Eu sinto que nesse tempo, o que eu mais tenho feito é me questionar sobre tudo, sobre quem eu sou, como sou, com quem sou, porquê sou, confesso que a sensação é quase de um purgatório agoniante, mas é aquilo, não há arco-íris sem um pouco de chuva, ou em como alguns casos, uma tempestade. Então tento encontrar um pouco de humor nisso, de fato estamos mais frágeis e expostos do que antes, não estamos nada acostumados a essa falta de contato humano, necessitamos da relação real e verdadeira que só existe na presença.
Não sei nem dizer quantas vezes chorei, por razões que nem eu entendo, é como se essa onda viesse de dentro de mim e me inundasse sem eu nem ver, me despindo diante de mim, me forçando a olhar.
Como lidar com tudo isso?
Mentalizo alguns mantras, treino alguns sorrisos, foco na minha respiração, em deixar meu corpo flutuar, em permitir a vulnerabilidade vir, sensibilidade, te dedico meu nome e sobrenome.
Quem diria que precisaríamos de uma situação tão drástica pra nos evidenciar o abismo de nossas escolhas coletivas, pra nos trazer a possibilidade de enxergarmos novamente.
Quem sabe, no final disso tudo, a gente até se torne mais humanos.
Utopia ou realidade?
Utopia ou realidade?






